sexta-feira, 31 de outubro de 2014
Semana de História da UFJF conta com participação da CMV-JF
A Comissão Municipal da Verdade de Juiz de Fora participou hoje da mesa redonda "Juiz de Fora em foco", que integra a programação da XXXI Semana de História da UFJF. O evento é promovido pelos discentes do curso de História da mesma instituição e, neste ano, discute os 50 anos do Golpe Militar, enfocando a temática “Memórias e resquícios do autoritarismo no Brasil”. Os integrantes Antônio Henrique Duarte Lacerda e Fernanda Sanglard e a professora da UFJF Cristina Musse, que colabora com a comissão, compuseram a mesa e falaram sobre as comissões da verdade, a utilização de arquivos como fonte e a importância das narrativas sobre a cidade na construção de memórias da ditadura.
Betão volta a integrar Comissão Municipal da Verdade
A vaga de representação da Câmara dos Vereadores na Comissão Municipal da Verdade de Juiz de Fora (CMV-JF), ocupada pelo vereador Jucelio Maria (PSB) entre julho e outubro deste ano, será reassumida pelo vereador Roberto Cupolillo (Betão-PT), que havia se afastado do cargo por motivo de desincompatibilização eleitoral. A alteração foi divulgada por Jucelio na reunião desta quinta-feira, quando se despediu dos demais integrantes e se comprometeu a continuar colaborando com as atividades da comissão. Os membros da CMV-JF agradeceram o apoio do vereador durante o tempo que substituiu Betão pelas importantes contribuições na relação institucional da comissão com órgãos públicos e organizações da sociedade civil.
sexta-feira, 17 de outubro de 2014
Auditoria Militar e CMV-JF promovem devolução de documentos retidos no período da ditadura
A Auditoria da 4ª Circunscrição Judiciária Militar
(4ª CJM) e a Comissão Municipal da Verdade de Juiz de Fora (CMV-JF)
promoverão, no plenário da sede da Auditoria, em data a ser definida,
uma solenidade para restituir documentos pessoais juntados aos autos e
que não foram retirados pelas pessoas que responderam a inquérito ou
processo nesta Auditoria no período de 1964 a 1985. A maioria desse
material (fotos, passaporte, carteiras de identidade e de trabalho,
entre outros documentos) é referente à década de 1970 e ficou sob guarda
judicial, mas, com o encerramento dos processos, parte dos interessados
não retornou para buscar a documentação. Devido à importância do ato,
serão convidadas para a solenidade a ministra Maria Elizabeth Guimarães
Teixeira Rocha, presidente do Superior Tribunal Militar, e a ministra da
Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Ideli
Salvatti.
1.
AFONSO CELSO LANA LEITE
2.
ANA LÚCIA BATISTA
3.
ANGELO PEZZUTI DA SILVA
4.
ANTÔNIO CARLOS BICALHO LANA
5.
ANTÔNIO MAGALHÃES
6.
ANTONIO MARIA ZACARIAS
7.
ARNALDO FORTES DRUMOND
8.
BRAZ TEIXEIRA DA CRUZ
9. CLAÚDIO GALENO MAGALHÃES LINHARES
10. CONCEIÇÃO IMACULADA DE
OLIVEIRA
11. DILMA VANA ROUSSEFF
12. ERWIN REZENDE DUARTE
13. FERNANDO
DE FREITAS PICARDI
14. GERALDO
CLEMENTE SOARES
15. HENRIQUE
ROBERTI SOBRINHO
16. JORGE
RAIMUNDO NAHAS
17. JOSÉ ADÃO PINTO
18. JOSÉ NATALINO MAGALHÃES
19. JOVIANO LINHARES
20. JÚLIO ANTÔNIO BITTENCOURT ALMEIDA
21. LEILA
DIAS DE ARAÚJO
- MARCIO ARAUJO LACERDA
- MARCO ANTONIO VICTORIA BARROS
- MARIA IMACULADA DINIZ
- MARIA JOSÉ DE OLIVEIRA CARVALHO
- MARIO ROBERTO GALHARDO ZANCONATO
- MAURÍCIO VIEIRA DE PAIVA
- NELSON JOSÉ DE ALMEIDA
- PEDRO PAULO BRETAS
- ROUBERDÁRIO DINIZ VALÉRIO
- SÉRGIO BITTENCOURT SIQUEIRA
- SONIA TERESINHA ROCHA REIS
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
Helena Da Motta Salles é a nova Presidente da CMV-JF
A Comissão Municipal da Verdade (CMV-JF), cumprindo
o determinado no estatuto, no que diz respeito à rotatividade dos cargos de coordenação,
elegeu hoje a integrante Helena da Motta Salles para ocupar a presidência do
colegiado. A advogada Cristina Couto Guerra assume a vice-presidência e o
jornalista Wilson Cid permanece na relatoria.
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Winston Jones Paiva - 26/08/2014
Advogado
que defendeu presos políticos em Juiz de Fora conta que denúncias eram montadas
por pessoas infiltradas pelo regime
“Interrogavam
pessoas, montavam as histórias; essas pessoas eram arroladas como testemunhas
umas das outras.”- Winston Jones Paiva
No
dia 26 de agosto, o advogado e professor universitário aposentado Winston Jones
Paiva, 73 anos, em depoimento à Comissão Municipal da Verdade de Juiz de Fora,
falou sobre as leis que vigoraram durante o AI - 5, sobre presos políticos que
defendeu, processos, julgamentos, autoridades militares, ameaças, tortura e
sobre a troca de presos políticos por embaixadores sequestrados pela
resistência.
Winston
formou-se em 1965, pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Juiz de
Fora. Durante a graduação, presidiu o Diretório Central dos Estudantes (DCE).
Cerca de 10 dias após o golpe, foi detido por cerca de três horas, por um grupo
paramilitar. Foi questionado sobre os livros que tinha em casa. “Eu tinha
vários livros que podiam ser considerados subversivos. Livros que eu tive que
enterrar, para evitar problemas.”
O
advogado contou sobre elementos ligados ao regime, infiltrados em movimentos de
resistência. “Um cidadão apelidado de ‘Chuchu’- não me recordo o nome dele -
comparecia a várias cidades: Juiz de Fora, Barbacena, Ouro Preto, Congonhas,
Belo Horizonte, Brasília, São Paulo… Ele entrava em contato com algumas pessoas
e depois dizia que essas pessoas faziam parte de um grupo de resistência,
posteriormente apelidado de Corrente. Pouco tempo depois, descobriram que ele
era um elemento infiltrado pelo regime, assim como o Cabo Anselmo.” As
denúncias de “Chuchu” resultaram no “Julgamento da Corrente”, em que foram
julgadas 117 pessoas. Todos foram absolvidos, pois foi comprovado que não se
conheciam.
Durante
o período ditatorial, o advogado atuou em diversos casos envolvendo presos
políticos, como o Processo dos 18, o Processo dos Intelectuais, o Processo da
Colina e o Processo da Corrente. O advogado recordou que era necessário ter
muito cuidado para não ser confundido com subversivos ao defender seus
clientes. “Eu ficava muito preocupado, pois eu sabia que estava sendo
acompanhado o tempo todo e não sabia onde aquilo ia parar”.
Casos
de violação de direitos também foram citados por Winston. Ele ressaltou um
acontecimento ligado a um grupo de resistência conhecido por “Colina”. Durante
a madrugada, militares invadiram uma casa onde pessoas ligadas à resistência se
reuniam. Uma dessas pessoas tinha uma metralhadora; dois militares morreram.
“Em virtude disso, os envolvidos foram violentamente torturados”, recordou.
Segundo
Winston Jones, a montagem de depoimentos era uma prática comum. “Interrogavam
pessoas, montavam as histórias; essas pessoas eram arroladas como testemunhas
umas das outras.” O advogado recordou que durante o Julgamento do Processo da
Corrente, o promotor responsável, ao ler partes dos depoimentos, alterou as
informações que eles continham. “Dois escrivães olhavam a cena assustados.
Perguntei o que era. Eles responderam: ‘Ele não está lendo, está inventando’.”
Fotos por: Jéssica Dias
Rafael Sales Pimenta - 26/08/2014
Advogado
fala à Comissão Municipal da Verdade sobre a prisão política do pai e o
assassinato do irmão em Marabá
“Meu
pai tinha medo de ser preso a qualquer momento. Dar aulas, em lugar e horário
fixo era sua maior preocupação. Facilmente poderia ser encontrado" –
Rafael Sales Pimenta
A Comissão Municipal da Verdade de
Juiz de Fora gravou, em 26 de agosto de 2014, o depoimento do advogado e
professor universitário Rafael Sales Pimenta, 55 anos, que falou sobre a prisão
política de seu falecido pai, o professor aposentado da UFJF Geraldo Gomes
Pimenta, e sobre seu irmão, o advogado Gabriel Sales Pimenta, assassinado em 18
de julho de 1982.
O ex-militar Geraldo teve várias profissões e trabalhou em diversos bancos.
Engajado em movimentos sindicais, começou a militar no Partido Trabalhista
Brasileiro (PTB) na década de 1950. Junto com Clodesmith Riani e outros líderes
sindicais da época, formou o grupo de sindicalistas do PTB. Presidiu o
Sindicato dos Bancários de Juiz de Fora por dois mandatos. Na década de 1970,
tornou-se professor universitário. Formado em Jornalismo, Ciências Sociais e
Economia, foi um dos primeiros professores da Faculdade de Economia, ajudando a
estruturar o curso. Deu aulas nos cursos de Economia, Filosofia, Letras e Jornalismo.
Membros do Movimento Familiar
Cristão (MFC), Geraldo e sua esposa, Maria da Glória Sales Pimenta, acolhiam
pessoas em sua casa e com o auxílio de vizinhos e amigos ofereciam refeições.
Algumas dessas pessoas aproveitavam esse espaço para fazer reuniões com
temáticas ligadas à resistência. Em sua casa havia um porão, onde foi
encontrado um panfleto informativo do partido comunista. O professor foi detido
para prestar esclarecimentos. Foi julgado e absolvido. Devido às perseguições
políticas, Geraldo encontrou dificuldades para manter seu emprego, não
evoluindo na carreira docente, terminando por se aposentar como professor em
regime 20 horas pela Universidade Federal de Juiz de Fora. "Meu pai tinha
medo de ser preso a qualquer momento. Aos finais de semana, sumia de casa, com
medo de ser detido. Dar aulas, em um lugar e horário fixo era sua maior
preocupação. Facilmente poderia ser encontrado", relatou Rafael.
Gabriel Sales Pimenta sempre se destacou nos estudos. Passou em 1º lugar
no vestibular de Direito na UFJF e em 4º lugar no concurso do Banco do Brasil,
sendo lotado em Brasília. Conheceu a Comissão Pastoral da Terra (CPT), ligada à
Igreja Católica e foi convidado para advogar pela CPT em Conceição do Araguaia.
Pouco tempo depois, foi transferido para Marabá, cidade paraense próxima a
Serra Pelada, devido aos conflitos locais, ligados à extração de ouro e invasão
de terras. Gabriel assumiu a defesa dos trabalhadores rurais e da construção
civil da região. Em 1 ano e meio, criou quatro sindicatos, contrariando o
sistema de poder local. Foi assassinado em 18 de julho de 1982.
O jovem advogado ajudou a fundar o partido político Movimento
Democrático Brasileiro (MDB) em Marabá. Esse era um partido que abrigava
opositores ao regime militar. Nessa cidade existiam apenas os partidos Arena 1
e Arena 2. Gabriel conseguiu levantar candidatos pelo partido. O estopim para
sua morte foi a invasão de 160 famílias a uma fazenda abandonada. Grileiros
compraram a terra e conseguiram uma liminar de restituição. Gabriel conseguiu
um mandato de segurança, porém foi assassinado três semanas antes do
julgamento, aos 27 anos. "Os mandantes não queriam que ele comparecesse à
audiência. O mandato de segurança foi aceito e as famílias ficaram com a terra.
Vivem lá até hoje. Ás vezes, vamos visitá-los", comentou Rafael Pimenta.
Fotos por: Jéssica Dias
João Carlos Horta Reis - 07/08/2014
JOÃO COMUNISTA CONTA À COMISSÃO MUNICIPAL DA
VERDADE AS TORTURAS QUE SOFREU NA PRISÃO
“Lá
eles matavam quando eles quisessem. Não precisava de dar comprimido para matar
não... Igual fizeram com o outro, te matam, dá um tiro, depois te enfiam em um
buraco lá no subúrbio e falam que você morreu brigando, lutando contra eles...”
João Comunista
João Comunista é o apelido pelo qual é conhecido João Carlos Reis
Horta, que prestou depoimento à Comissão Municipal da Verdade de Juiz de Fora
no dia 07 de agosto de 2014. Ele contou a história dos dias em que passou preso
e que foi torturado durante a ditadura militar que se instalou no Brasil entre
os anos 1964 e 1985.
Comunista desde a juventude, João Carlos, que trabalhava com
livros, na Livraria Sagarana, foi preso em Juiz de Fora pouco tempo após
adquirir sua própria livraria, em sociedade com amigos. Depois de solto, foi
morar e trabalhar no Rio de Janeiro e lá passou a fazer parte da Resistência
Armada Nacional (R.A.N.), um dos movimentos que lutava contra o regime militar.
Neste período foi preso novamente, e, segundo revela,
experimentou terríveis experiências, como ficar preso nu em uma cela chamada de
“geladeira”, por ser escura, fria, sem janelas, e com ar condicionado ligado no
máximo, ou ainda, ficar confinado em uma solitária, sem ver nem conversar com
ninguém por mais de 30 dias.
Dentre as torturas que sofreu, levou choques nas partes mais
sensíveis do corpo, foi espancado, levou chutes, teve a cabeça mergulhada em água
até perder o fôlego, andou de capuz sem poder ver o que ia acontecer, teve
armas apontadas para sua cabeça e disparadas sem balas, como forma de pressão
psicológica.
João Carlos contou a história de amigos que também foram
presos e torturados e com quem dividiu tristezas e vitórias, revelando que, infelizmente,
não foram mentiras as situações inimagináveis de violação aos direitos humanos
ocorridas no período da ditadura no Brasil.
Em seu relato, revela que encontrou militares que, mesmo sem
precisar, “eram covardes”, como um que o deixou na solitária por vários dias após
ter havido determinação para que ninguém mais ficasse neste tipo de cela, ou
outro que o tratou como prisioneiro, algemado e com armas apontadas para a
cabeça mesmo após ele ter sido libertado. Encontrou, também, aqueles que
seguiam seus princípios e não só não impingiam torturas como procuravam tornar
mais leve a situação, como um comissário que, em seu turno, mandava o
carcereiro soltar todos das solitárias para que pudessem conversar, comprava
cigarro para os presos, e assumia que as regras militares não iriam se sobrepor
a seus princípios.
Fotos por: Jéssica Dias
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